sábado, 16 de fevereiro de 2013


Bento XVI reafirma que renunciar foi "muito difícil, mas necessário"

Otto Perez Molina, presidente da Guatemala, beija as mãos o papa Bento XVI Foto: AP
Otto Perez Molina, presidente da Guatemala, beija as mãos o papa Bento XVI
Foto: AP



Sereno e relaxado, segundo seu secretário pessoal, Bento XVI prosseguiu neste sábado com sua agenda e recebeu o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, a quem confidenciou que foi "muito difícil" tomar a decisão de renunciar ao pontificado, mas que considera que é uma decisão "necessária" para a Igreja.
"Bento XVI me disse que acredita que é o melhor para a Igreja, já que por sua idade e também por seus problemas de saúde não pode viajar, e que a responsabilidade da Igreja é muito grande e por isso tomou essa decisão", disse Pérez Molina à imprensa após um encontro privado de 25 minutos com o Papa em sua biblioteca particular.
O presidente guatemalteco assinalou que viu o Papa "muito decidido e muito firme" em relação à decisão adotada e que o pontífice lhe assegurou que, mesmo afastado do cargo, seguirá rezando pela Igreja.
Pérez Molina foi o último chefe de Estado não italiano recebido em audiência pelo Papa, que deve despedir-se do presidente italiano, Giorgio Napolitano, no dia 23 de fevereiro.
(Extraido: noticias.terra.com.br)


Mensagem do Papa Bento XVI por ocasião da Campanha da Fraternidade 2013


Queridos irmãos e irmãs,

Diante de nós se abre o caminho da Quaresma, permeado de oração, penitência e caridade, que nos prepara para vivenciar e participar mais profundamente na paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. No Brasil, esta preparação tem encontrado um válido apoio e estímulo na Campanha da Fraternidade, que este ano chega à sua quinquagésima realização e se reveste já das tonalidades espirituais da XXVII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em julho próximo: daí o seu tema "Fraternidade e Juventude", proposto pela Conferência Episcopal Nacional com a esperança de ver multiplicada nos jovens de hoje a mesma resposta que dera a Deus o profeta Isaías: "Eis-me aqui, envia-me!"(6,8).
De bom grado associo-me a esta iniciativa quaresmal da Igreja no Brasil, enviando a todos e cada um a minha cordial saudação no Senhor, a quem confio os esforços de quantos se empenham por ajudar os jovens a tornar-se – como lhes pedi em São Paulo – "protagonistas de uma sociedade mais justa e mais fraterna inspirada no Evangelho" (Discurso aos jovens brasileiros, 10/05/2007). É que os "sinais dos tempos", na sociedade e na Igreja, surgem também através dos jovens; menosprezar estes sinais ou não os saber discernir é perder ocasiões de renovação. Se eles forem o presente, serão também o futuro. Queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, demonstrando a confiança que a Igreja deposita em cada um deles. Isto requer guias – padres, consagrados ou leigos – que permaneçam novos por dentro, mesmo que o não sejam de idade, mas capazes de fazer caminho sem impor rumos, de empatia solidária, de dar testemunho de salvação, que a fé e o seguimento de Jesus Cristo cada dia alimentam.
Por isso, convido os jovens brasileiros a buscarem sempre mais no Evangelho de Jesus o sentido da vida, a certeza de que é através da amizade com Cristo que experimentamos o que é belo e nos redime: "Agora que isto tocou os teus lábios, tua culpa está sendo tirada, teu pecado, perdoado" (Is 6,7). Desse encontro transformador, que desejo a cada jovem brasileiro, surge a plena disponibilidade de quem se deixa invadir por um Deus que salva: "Eis-me aqui, envia-me!’ aos meus coetâneos" - ajudando-lhes a descobrir a força e a beleza da fé no meio dos "desertos (espirituais) do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: (…) o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o é o Catecismo da Igreja Católica" (Homilia na abertura do Ano da Fé, 11/10/2012).
Que o Senhor conceda a todos a alegria de crer n’Ele, de crescer na sua amizade, de segui-Lo no caminho da vida e testemunhá-Lo em todas situações, para transmitir à geração seguinte a imensa riqueza e beleza da fé em Jesus Cristo. Com votos de uma Quaresma frutuosa na vida de cada brasileiro, especialmente das novas gerações, sob a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecia, a todos concedo uma especial Bênção Apostólica
Vaticano, 8 de fevereiro de 2013
BENEDICTUS PP. XVI